Sovaco do Cristo, Timoneiros da Viola e Papagaio Linguarudo.
Cacique de Ramos, Virilha de Minhoca e Depois Te Explico.
Quem For Corno Me Acompanhe, Simpatia É Quase Amor e Imprensa Que Eu Gamo.
Quer Romance Compra um Livro, Bagunça Meu Coreto e o glorioso Eu Sou Eu, Jacaré é Bicho D’água.
Difícil, difícil mesmo, é eleger o melhor nome de bloco do carnaval carioca. É cada um que o sujeito volta para casa e não sabe o que é melhor, se o bloco, o carnaval ou o carioca.
Só entre os blocos apoiados pelo Brewteco, os nomes bons abundam:
Sinfônica Ambulante! Imaginô? Agora Amassa! Urubuzada… E os clássicos Chame Gente, Não Monogamia, Gostoso de Mais e Olha Pá Mim.
Mas afinal, de onde brotam tais nomes? Combustão espontânea? Surgem no banho? Ou são frutos de meses de planejamento e marketing?
Bobagem. Nascem, onde mais, nos botequins.
A maior prova dessa hipótese foi apresentada pelo saudoso Sérgio Cabral, o grande jornalista. No livro “Um século em cem crônicas”, organizado por Maria Amélia Mello, o velho Cabral vestiu o chapéu de arqueólogo, e foi escavar no botequim do Monteiro a saga do mítico sambista Jujuba, sobrinho do grande Ismael Silva:
“Ele era um dos componentes daquela mesa que discutia, nas vésperas do carnaval de 1959, as possibilidades de ser criado um bloco carnavalesco no Catumbi. Jujuba, Tião, Célio, Mistura e alguns outros estavam no botequim do Monteiro, cuja freguesia andava muito grande por causa da adesão dos operários de uma obra da vizinhança. Aos sábados, dia de pagamento na construção, é que o bar se enchia ainda mais.”
Vamos criar o bloco? Vamos, disse a turma de Jujuba e Mistura. E qual seria o diacho do nome? Bem, foi aí que… Mas conta, Cabral, que eu o interrompi:
“Quando todos estavam de acordo que o bloco deveria ser criado, um dos trabalhadores levantou-se de sua mesa e foi até a porta respirar um pouco de ar puro:
– Puxa, esse botequim está que é o bafo da onça!, berrou o operário.”
E assim, após uma explosão de gargalhadas gerais, foi batizado um dos blocos mais famosos da cidade.
E você, tem algum nome favorito? Fico com dois.
O primeiro eu criei agora, para um bloco que um dia hei de fundar, no Leme:
Clarice, Olha o Quati!
Que tal? Já dos que existem, voto em outro. O nome mais puro e pungente de uma agremiação, desde que os ranchos e entrudos pegaram no Brasil. Não é bloco, mas escola de samba mirim. Pegue um lenço antes de mudar de linha:
Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy.
Como dizia Almir Guineto, atingiu?

