Marcelo Dunlop é cronista, e já bebeu chope com Veríssimo, Tia Surica, Walter Alfaiate e Rickson Gracie, entre outros cobras.

Poe, Pepê, e a potente poética dos pinguços

Ave infernal da poesia, Edgar Allan Poe começou a escrever há 200 anos, e não parou – nunca mais. Poeta gótico, inventor das tramas de detetive, o gênio americano lançou em julho de 1827 seu livro de estreia, chamado “Tamerlane and other poems”. Pois um ano antes de morrer, na pindaíba, Poe escreveu suas linhas mais líricas, dedicadas à sua

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Não vá ao bar sem antes ler Millôr

De 1923 a 2012, Millôr Fernandes dedicou-se a repensar o Brasil à tarde, jogar frescobol pela manhã e se divertir de noite. Poucos ensinaram tão bem aos cariocas como viver – nós é que ainda não aprendemos. Millôr podia, durante a semana, estar traduzindo a obra completa de Shakespeare, e no sábado pintar no bar da Cobal. Aos domingos, como

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Como o atacante iraquiano afundou o meu bolão

Copa do Mundo é uma época famosa por suas perguntas desconfortáveis, algumas sem resposta. Por que o craque perdeu o pênalti? Por que não chegamos de novo na final, e eles sim? E, mais importante: quem é “Balbina tia do Valtão”, que liderou por meses o bolão da família? Sou conhecido por delirar com placares vastos, ditos “bailarinos”, e com

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5 provas de que os botequins transformam o mundo, por Ruy Castro

Copa do Mundo é uma época e tanto, mas tem lá seus efeitos colaterais. Nesses tempos de eventos esportivos gigantes, o povo tem a estranha mania de escolher os bares pelas razões erradas.    – Partiu Bar do Cesinha? Petisco raiz, bom televisor…. E sem delay!   – Ô irmão… Já viu a altura dos garçons? Os caras passam na

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Cuide bem dos cozinheiros

A pensata surgiu ao ler “No turbilhão da galeria”, a novíssima antologia de crônicas do mestre Alvaro Costa e Silva, o popular Marechal. Estava relaxadão, me divertindo com a página 175, quando a tese me acertou com força, feito a maçã de Newton. Ao escrever sobre “A comadre Beth Carvalho”, Alvaro recupera a primeira vez que a cantora, a convite

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Uma visita ao Cemitério de Coquetéis Bem Brasileiros (C.C.B.B.)

Outro dia zarpei para a Tijuca, e saltei do táxi no século passado. O aniversariante era o Gabriel da Muda e o bar Miudinho, perto do Maracanã, estava apinhado de lendas vivas e amizades da antiga. Batuqueiros, compositoras, aquela nata da malandragem que conheço de outros carnavais. Tinha vagabundo até de Ilha Grande, avalie. Eu vinha do hospital, e não

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Como nasce o nome de um bloco de carnaval?

Sovaco do Cristo, Timoneiros da Viola e Papagaio Linguarudo. Cacique de Ramos, Virilha de Minhoca e Depois Te Explico. Quem For Corno Me Acompanhe, Simpatia É Quase Amor e Imprensa Que Eu Gamo. Quer Romance Compra um Livro, Bagunça Meu Coreto e o glorioso Eu Sou Eu, Jacaré é Bicho D’água. Difícil, difícil mesmo, é eleger o melhor nome de

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Walt Disney, Cartola e Paulo da Portela no bar do Nozinho

Valtinho Disney, quem diria, foi parar em Madureira. Nos tempos atuais, de camarotes requintados e alegorias supersônicas, soa até normal a presença do famoso cineasta numa escola de samba. Mas avalie isso em 1941, quando a Portela nem tinha uma quadra para chamar de sua. Pois aconteceu. Walt Disney estacionou na Estrada do Portela, feito Caetano no Leblon, abancou-se num

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O poder da criação

Nessa época de praias concorridas, em que o povo passa o dia contando gaivotas e boiando no mar, nem sempre a gente lembra como tudo começou.   A história, rezam as escrituras, é bem antiga.   Contam que Deus, no quinto dia de trabalho, decidiu criar então os peixes, as imensas baleias e todas as criaturas que vivem no oceano.

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Apenas uma crônica de corno

O bar, afinal, é lugar de corno? Calma, calma lá, não tome como indireta. A delicada questão me surgiu outro dia, quando escolhia a estação de rádio, e fui acertado no tímpano por um imortal sucesso de Reginaldo Rossi, cantor e compositor pernambucano expert em canções de desamor. Logo cocei a cabeça e comecei a refletir. O que faz tal

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Verissimo, o bar perfeito e a Sharon Stone

Luis Fernando Verissimo, certa noite, suspeitou que havia encontrado o bar perfeito. Eram idos de 1976, e o saudoso escritor viajava com a esposa Lúcia e amigos por Buenos Aires. Ao retornar, Verissimo descreveu o estabelecimento, numa de suas crônicas imortais: “Tinha uma porta pesada de pub inglês, lá dentro o chão atapetado, as paredes forradas de madeira, iluminação discreta

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Jaguar só bebia porque era líquido

Se o Brasil ficou mais pobre sem Jaguar, avalie o prejuízo dos botequins. Cartunista, escritor, editor do jornal mais engraçado da história do Brasil – “O Pasquim”, procurem saber, crianças – Jaguar foi nosso maior e mais longevo boêmio. Numa Olimpíadas de biriteiros, em disputa renhida com Mussum, Zeca Pagodinho e Vinicius de Moraes, Jaguar pegaria pódio, fácil. Numa copa do

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O que aprendemos com Arlindo Cruz nos botecos da vida

Cria do bairro de Piedade, Arlindo Domingos da Cruz Filho esbanjou no banjo para deixar saudade.  Músico, letrista, malandro à moda antiga e autor de dezenas de sambas-enredos, Arlindinho foi um dos grandes responsáveis por conduzir o pagode lá do fundo dos quintais para a frente dos holofotes e dos palcos iluminados.   Para lidar com os refletores, mantinha sempre à

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Torresmos, moelas e os petiscos cariocas de Moacyr Luz

Sempre que amigos do Pará, Portugal ou Piracicaba brotam no Rio de Janeiro, meu Whats pisca: alguma dica? Qual a boa da semana? Olá, que tal trocar seu filtro, Sr. Dupol? Bem, volta e meia rola um spam. Costumo, para não errar, sugerir um esquema clássico, aquele 4-4-2 sem firula. De dia, praia em Ipanema e passeio pela Folha Seca

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Frases perfeitas para a mesa do bar

Você chegou cedo para a reunião com a turma, o povo atrasou e o único no bar é aquela fera caladona, com quem você parece ter pouco ou nada em comum. Você tenta de tudo. Já falou da chuva, de futebol, e agora apelou para um papo sobre óculos, sobre a Lady Gaga, e meu deus, sobre os óculos da

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Houve uma vez dois parabéns

Quem nunca celebrou seu aniversário com os amigos no bar? O cardeal Ratzinger, talvez. Já o resto da humanidade há de concordar: soprar as velinhas na mesa do botequim é garantia de diversão e histórias para contar. Esteja certo, no entanto, que por mais que sua sogrona pinte o sete, ou que seu primo cabeludo enfie a conta na boca

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O perfil do fundador 

Ao longo dos anos 1980, a jornalista Bety Orsini e outras craques da apuração divertiam os leitores com a coluna “Perfil do consumidor”, publicada no “Jornal do Brasil” nos fins de semana.   Tratava-se de um bate-papo ágil e divertido – por isso conhecido como entrevista pingue-pongue – onde celebridades rebatiam perguntas diretas e, muitas vezes, irreverentes. Ficou famosa a resposta

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A enfermeira Anna Ramirez indica um bom botequim de hora em hora

Verissimo nos ensina que “não há nada de errado com o mundo, ele só é muito mal frequentado.” Curiosamente, com os pé-sujos se dá o oposto. Podem ser péssimos, mas no fim são muito bem frequentados, nem que sejam pelos amigos da gente, aquela cambada. Na terra do cronista, Porto Alegre, existia o bar do Ari, com seu balcão e

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O maior “chatólogo” do Brasil

Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim teria celebrado seus 98 aninhos no dia 25 de janeiro, e nem parece que cantou para subir lá em 1994. Nos palcos, livrarias e canais de filmes, Tom Jobim segue vivo e encantador, nos abanando com seu eterno chapéu panamá. Nos cinemas, “Elis & Tom, só tinha de ser com você” só foi menos

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